Importação de cosméticos no Brasil: grandes oportunidades com grande burocracia

Importação de cosméticos no Brasil: grandes oportunidades com grande burocracia

Importação de cosméticos no Brasil: grandes oportunidades com grande burocracia

Um dos mercados que não sentiram a crise, conforme a ABIHPEC, foi o da beleza. Em relação a 2017, cresceu quase 3% e a expectativa é que nesse ano cresça ainda mais em relação a 2018.

Com esse ambiente propício, investimentos são atraídos e muitas oportunidades são oferecidas para desenvolver este mercado.

Diante disso, cada vez mais comum é o interesse do brasileiro em importar e representar marcas estrangeiras no Brasil, assim como de multinacionais quererem vir até o nosso mercado para usufruir deste poderio de consumo.

Porém, ainda que pareça ser um oceano de oportunidades, a importação de cosméticos e produtos de beleza em geral oferece um lado muito ruim para essa história: a burocracia da importação.

Vários são os entraves da importação de cosméticos no Brasil. O alto custo dos tributos, a dificuldade de obtenção das licenças junto a Anvisa, a proibição de alguns componentes na fórmula dos produtos, a dificuldade de se traduzir rótulos e formulações em português, entre outros.

Além da dificuldade, tempo e dinheiro são desperdiçados nesse segmento, levando inclusive a prática de informalidades na importação, já que dentro da legalidade a empresa não consegue trabalhar.

Segundo pesquisas de mercado, uma empresa demora no mínimo 1 ano para iniciar a operação de uma distribuidora de cosméticos importados, haja vista às necessidades de atendimento às condições mínimas exigidas pela ANVISA.

Diante disso, muitas empresas optam em fabricar os produtos no Brasil, importando insumos e fabricando ou envasando aqui. Mesmo assim, a matéria prima normalmente é controlada também, levando a dificuldades de mesma proporção nestas operações.

Em termos tributários, importar insumos pode ser uma alternativa, já que a importação de cosméticos e produtos de beleza são bastante caros.

A logística de distribuição também acaba encarecendo, já que controle de temperatura, local de armazenamento e seguro são normalmente mais caros do que uma carga comum.

Dessa forma, quando vemos numa prateleira um produto e o chamamos de caro, ou mesmo pensamos que o proprietário da loja está ficando rico, é importante lembrarmos que na cadeia produtiva e logística, os custos são altíssimos. Como consequência, produtos caros sendo vendidos ao consumidor final.

Uma alternativa para uma empresa que quer importar cosméticos no Brasil tem sido a produção em fábricas de marca própria. A produção baseada nas normas e no know-how do produto original, juntamente com a diminuição de licenças de estabelecimentos, já que a fábrica já opera em ordem, facilitam a vinda de uma marca para o Brasil.

Nesse caso, só marca mesmo, pois a fabricação acaba sendo feita aqui, com – em alguns casos – a utilização de insumos importados.

Desburocratizar esse setor, sem perder o controle da qualidade do produto é um grande desafio, mas que pode trazer inúmeros benefícios em termos de crescimento e geração de renda para o Brasil.
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Sobre autor

Mário Pólis - Bacharel em Negócios Internacionais (UNIMEP) e Mestrando em PO – Log. Internacional (UNICAMP), é um dos membros brasileiros na INCU (International Network of Customs Universities). Tem experiência nas áreas de logística e aduana, com foco em inteligência aduaneira voltada para pequenas e médias empresas importadoras/exportadoras. É docente no MBA de Negócios Internacionais e Comércio Exterior, e MBA de Gestão e Negócios (UNIMEP), além de palestrante. É o diretor da EMME.